Sweden Rock 2010

•agosto 3, 2010 • 3 Comentários

Review por Vitor Flisch Cavalanti
Fotos por André Miranda e Vitor Flisch Cavalanti

O Sweden Rock é um dos maiores festivais da Europa e chegou à sua 19º edição no último mês de junho, e vem se renovando a cada ano, sendo o  festival de Rock mais importante da Escandinávia, e figura entre os principais festivais do verão europeu.

Uma das principais características do Sweden é a pluralidade de gêneros das bandas que compõem seu cast, indo do Hard Rock ao Black Metal, passando pelo AOR, Heavy Metal, Sleaze, Southern Rock, Hardcore, Thrash, Death e outros estilos, mas dentro desses já citados, o que ganha mais destaque quando comparamos com outros festivais europeus é o Hard Rock.

O Festival veio este ano composto por quatro palcos em ordem decrescente de tamanho: Festival Stage, Rock Stage, Sweden Stage e Dio Stage (que até o ano passado se chamava Zeppelin Stage, mas foi renomeado em Homenagem a Ronnie James Dio) e duas tendas, Rockklassiker Tent (destinada a shows acústicos) e a Nemis Tent (New Music in Sweden, que foi destinada somente a novas bandas suecas).

Eu em frente ao Dio Stage

Eu em frente ao Dio Stage

Com tantos palcos e bandas, este ano totalizando 102 bandas no cast, é o verdadeiro paraíso para o fã de rock n´ roll, mas muitas vezes acaba criando momentos de importantes decisões já que é muito comum ter que escolher entre dois e até entre três shows que estão acontecendo simultaneamente.

A área externa do festival é repleta de barracas que vendem comidas, bebidas, roupas, botas, chapéus e quinquilharias diversas, para os metaleiros consumistas é um verdadeiro paraíso. E também contando com as diversas lojas de cd que fazem a falência de todo colecionador nato.

O Festival é dividido em quatro dias, sendo que no primeiro deles, conhecido como warm up, somente metade da estrutura do festival é liberada ao público, assim como uma quantidade reduzida de ingressos é fornecida.

O festival começou na quarta-feira (09/06) com a banda Heart Attack, vencedora do concurso de bandas tributo, e com todos os méritos a banda fez um show impecável lembrando os sucessos do Heart no Dio Stage. Neste primeiro dia, foi possível conferir também alguns shows bastante interessantes como os Suecos do F.K.Ü (Freddy Kreuger’s Ünderwear) que trouxeram um thrash metal bem elaborado com uma boa pitada de humor, e com isso conseguiram agitar o público ansioso por rock ´n roll.

F.K.Ü

F.K.Ü

SteelWing

SteelWing

Na seqüência vieram os também suecos do Steelwing com seu Heavy Metal Tradicional, com um pé no NWOBHM, com o vocalista Riley bastante empolgado, lembrando muito os primórdios do Viper com André Matos. Chegava a hora da primeira banda de Hard Rock se apresentar, e se tratava da Michael Monroe Band, que trouxe um show bastante energético com músicas das diversas fases da carreira do supracitado vocalista, contando com clássicos do Hanoi Rocks como Back to the Mystery City e Malibu Beach Nightmare e músicas da banda Demolition 23. Finalizaram o show com um Medley de 1970 e Radar Love, em suma foi um show bastante eficiente de um frontman que se esforça muito para proporcionar diversão aos presentes.

Michael Monroe Band

Michael Monroe Band

Chegava a hora da primeira difícil escolha, no Dio Stage iriam se apresentar os ingleses The Quireboys e a tenda acústica iria receber os americanos do Warrior Soul, e a minha opção foi assistir o começo do show acústico e partir para a Dio Stage, e acredito ter feito uma boa escolha, já que o acústico do Warrior Soul foi muito interessante, com a voz marcante de Kory Clarke como destaque e o final do show dos Quireboys foi uma das revelações do primeiro dia, apresentando um Hard Rock de muita qualidade e agradando bastante o grande público presente.

Ao anoitecer chegava a hora do Headliner do primeiro dia, e uma escolha muito feliz foi feita pelos organizadores: UDO e sua banda fizeram um show completo, passando pelos principais sucessos da sua carreira solo como Independence Day, Thunderball, Dominator, Mastercutor, Man and Machine, Holy, etc e tocando os clássicos da era Accept como Midnight Mover, Balls to the Wall, Rebel, Princess of the Dawn, Flash Rockin´ Man, Metal Heart e outras.

Começando o segundo dia, já com a outra metade do festival liberada fui direto ao Rock Stage conferir os americanos do Stone Sour, que mesmo com somente dois discos lançados, já conquistaram um fiel público, e haviam dúvidas se Corey Talor iria manter a agenda de shows do Stone Sour, já que o vocalista ficou bastante abalado com a morte do baixista Paul Dedrick Gray de sua outra banda Slipknot. Para nossa sorte e deleite, fizeram um bom show e conseguiram tirar o público do chão com suas músicas.

Optei por sacrificar a última música do Stone Sour para conferir uma promissora banda sueca de Hard Rock: o Mama Kin, que lançou em 2009 seu primeiro play e tocam um hard rock melódico bem eficiente, com o timbre de voz do vocalista lembrando muito a voz de Paul Stanley, destaques para as músicas You Belong to Me, Mrs Operator e Higher & Higher.

Mama Kin

Mama Kin

Logo após o término do excelente show do Mama Kin, fui correndo para o Dio Stage conferir um dos shows que estavam gerando grande expectativa, os suecos do Treat que haviam retornado ao estúdio e lançaram o excelente disco Couple of Grace em 2009 e fizeram um show impecável, com muita ênfase no álbum recém lançado mas não abrindo mão dos clássicos Ready for the Taking, Conspiracy e World of Promises (que foi coverizada pelo In Flames no disco Clayman), e destaques para as novas The War is Over, Roar, All In e Skies of Mongolia. Certamente este show ficou entre os top 5 desta edição do festival, lembrando que nesta mesma hora o Nazareth se apresentava no palco principal e levou grande público.

Treat

Treat

Na sequência, haja coração, chegava a hora de conferir no Sweden Stage o show dos americanos do Y&T, que lançaram este ano o disco Facemelter marcando com grande estilo a volta da banda à ativa, quem conhece o Y&T, sabe da qualidade dos músicos principalmente de Dave Meniketti que é um exímio guitarrista e possui uma voz única, e as expectativas foram totalmente superadas, o Y&T fez um show perfeito, mesmo tendo que deixar de lado alguns clássicos por se tratar de um show de festival, escolheram as músicas certas do disco novo: On with the Show, Shine on e I´m Coming Home, e trouxeram os clássicos na medida, passando por Blacktiger, Meanstreak, Lonely side of Town com direito a tocar Rainbow in the Dark em homenagem ao amigo Dio, e sem esquecer de I Believe in You com o belíssimo solo de guitarra executado por Meniketti, Open Fire, Dirty Girl, Rescue Me e Forever. Um show tecnicamente perfeito e que nem mesmo a garoa que neste momento virou chuva fraca conseguiu estragar. Durante o show do Y&T o Evergrey fez um show no palco acústico, mas como já foi falado no início do texto, as escolhas são difíceis e tive que sacrificar o show acústico.

Dave Meniketti - Y&T

Dave Meniketti - Y&T

Y&T

Y&T

Mais uma escolha a ser feita, ir conferir o Death Angel no Dio Stage ou o Pretty Maids que teve a difícil missão de substituir o Ratt, que cancelou sua turnê européia por conta de uma cirurgia de hérnia pelo vocalista  Stephen Pearcy. Como já tinha informações que o Death Angel visitaria nossas terras ainda este ano, optei por ver os dinamarqueses do Pretty Maids, que lançaram o ótimo disco Pandemonium este ano e fizeram um bom show, mas que não empolgou muito os presentes, acredito que pelo fato de eles tocarem no maior palco do festival o show acabou ficando um pouco vazio, mas ver alguns sucessos dessa banda oitentista como Back to Back (coverizada pelo Hammerfall em Legacy of Kings), Future World, Love Games, Red, Hot and Heavy e a excelente Little Drops of Heaven valeram a pena. Após o término do show do Pretty Maids, ainda consegui ver o final do show da banda de Southern Rock Blackberry Smoke, que trouxe seu som e filosofia aos presentes no Dio Stage.

Pretty Maids - Ronnie Atkins e Ken Hammer

Pretty Maids - Ronnie Atkins e Ken Hammer

Pretty Maids

Pretty Maids

Ronnie Atkins - Pretty Maids

Ronnie Atkins - Pretty Maids

Death Angel

Death Angel

Tom Araya - Slayer

Tom Araya - Slayer

Às 20h começaria no Festival Stage um show que estava gerando muita expectativa, iria o Slayer tocar o disco Seasons in the Abyss (1990) na íntegra como haviam citado em algumas entrevistas nas últimas semanas? E a resposta é: Não, mas mesmo não cumprindo essa expectativa, o show foi muito bom, como todo e qualquer show do Slayer sempre é, com grande destaque para a performance precisa e devastadora de Dave Lombardo, o Slayer passou pelo último disco e pelos principais sucessos Raining Blood, War Ensemble, South of Heaven, Angel of Death, Chemical Warfare, Hell Awaits e outros.

No Sweden Stage se apresentaria Jorn Lande e o Rock Stage contaria com o show de Danzig, como fã dos 2 artistas optei por ver o início do Jorn e partir para ver os clássicos de Danzig no final do show. É sempre gratificante ver um grande vocalista e performer em ação como Jorn, ele coloca emoção em sua voz e foi criada uma grande expectativa se ele tocaria a recém-composta canção que homenageia Ronnie James Dio no show, mas ele não a tocou. Partindo para o Danzig, pude conferir grandes músicas da fase inicial da carreira, principalmente dos discos Danzig I (1988) e Lucifuge (1990), com grande destaque para a participação do público no hit Mother.

Steven Tyler e Joe Perry - Aerosmith

Steven Tyler e Joe Perry - Aerosmith

Chegava a hora do headliner, e quem tinha essa responsabilidade era o Aerosmith que fez um show morno, mas eficiente. Steven Tyler cantou muito bem apesar o frio, e Joe Perry desempenhou bem seu papel, nos solos e nas performances conjuntas com Steven. Aparentemente os problemas do passado foram ultrapassados ou são todos grandes atores, ao mesmo tempo em que o Aerosmith tocava no Festival Stage, no Dio Stage o Mayhem despejava seu Black Metal para uma platéia considerável.

Começando o terceiro dia do festival, fui conferir o show dos suecos do The Itch, que trouxeram um show bastante agradável com bons riffs e energia, logo na seqüência os americanos do Big Elf tocaram no Sweden Stage, trazendo sua mistura de Beatles com música progressiva, fizeram bastante sucesso entre os espectadores e levantaram a galera, no mesmo instante os alemães do Grave Digger despejavam seu Heavy Metal Tradicional no Rock Stage levando a galera a agitar e cantar junto músicas como Excalibur, Rebellion e Heavy Metal Breakdown que sempre soam muito bem em festivais, o novo guitarrista escolhido para substituir Manni Schmidt não se mostrou muito virtuoso ou então não estava a vontade, só o tempo dirá se ele é capaz de dar continuidade a essa grande banda alemã.

Big Elf

Big Elf

Na seqüência, sob uma forte garoa o palco principal estaria prestes a receber ninguém menos do que Michael Schenker e sua banda que está comemorando os 30 anos de MSG, com destaques para Gary Barden nos vocais e Chris Slade na bateria que deu um show a parte, o set-list foi bem balanceado tocando diversas músicas das fases MSG como Cry for the Nations, Ready to Rock, Into the Arena e On and on, além das clássicas Lights Out, Rock Bottom e Doctor Doctor do UFO, uma pena somente eles não tocarem nada da fase Mc-Auley Schenker, mas enfim, foi um excelente show mesmo assim. No Rock Stage tocaram os suecos do D-A-D, que trouxeram um show com bastante visual, lembrando bastante a fase glam da banda, com destaque para o baixista que tocou com um instrumento transparente com somente duas cordas, mas não conseguiram animar muito a platéia presente, foi um show com muito visual e pouca música. Um pouco antes do final do D-A-D fui para o Dio Stage conferir o show dos ingleses do Praying Mantis, estes sim tocaram com uma vontade e garra de dar gosto, aproveitando o excelente lançamento Sanctuary fizeram um grande show e agradaram bastante os presentes, ao mesmo tempo no Festival Stage, Rick Springfield fazia seu show, tocando clássicos de sua longa carreira.

Michael Schenker

Michael Schenker

Chris Slade - Michael Schenker Group

Chris Slade - Michael Schenker Group

Chegava a hora de mais uma difícil decisão: assistir o Magnum no Rock Stage ou a banda sensação Steel Panther com seu Hard Rock irônico homenageando os grandes ídolos da década de 80, bem, optei pela segunda opção e não me arrependi, já que a banda é excelente, formada pelo vocalista Michael Starr, Satchel nas guitarras, Lexxi Foxxx no baixo e o baterista Stix Zadinia, fizeram um show impecável  tocando músicas do seu debut Death to All But Metal e com direito a cover de Kickstart my Heart do Mötley Crüe, o show pode ser considerado uma peça de Stand up Comedy, já que a todo momento os músicos fazem piadas, todas elas previamente ensaiadas mas com bastante naturalidade e o show transcorre num piscar de olhos de tão divertido e empolgante. Destaques para as ótimas Death to All But Metal, Eyes of a Panther, Turn out the Lights e Party All Day, essa última que é uma paródia do Bon Jovi e todas as demais lembram muito as grandes bandas do hard rock oitentista, como Van Halen, Whitesnake, e outras. Michael Star (ou Ralph Saenz) é muito conhecido nos clubs de hard rock de LA, pois ele cantava na famosa banda cover de Van Halen Atomic Punks e possui uma voz e performance de palco que lembram muito David Lee Roth.

Steel Panther

Steel Panther

Steel Panther

Steel Panther

Cinderella

Cinderella

Após a gozação, uma das grandes bandas a qual o Steel Panther se referiu como grande influência iria fazer o seu show: Cinderella!!! Foi quase como um sonho se realizando, a banda em sua formação clássica, tocando sucessos da década de 80 com bastante ênfase nos 3 primeiros discos Night Songs, Long Cold Winter e Heartbreak Station, fizeram um show emocionante e não faltaram clássicos, Gypsy Road, Nobody´s fool, Shake me, Push Push, Bad Seamstress Blues, Coming Home, Shelter Me entre outras. Tom Keifer não possui a mesma voz de outrora, mas está bem melhor do que na fase pré-interrupção da banda há alguns anos atrás, a voz é bastante característica e ele é um músico nato, multi-instrumentista e uma mente brilhante no que diz respeito a composições, o baixista Eric Brittingham que possuía longa cabeleira loura, agora está de cabelos pretos curtos e um pouco acima do peso, provavelmente por conta dos problemas de saúde que passou há alguns anos também. Durante esse excelente show fui obrigado a dispensar o show dos americanos do Suicidal Tendencies, ou o que sobrou da banda, mas ouvi relatos de que a formação atual está matadora e o show proporcionou diversos mosh-pits entre os suecos presentes.

Tom Keifer - Cinderella

Tom Keifer - Cinderella

Nesse momento, a chuva assolou Solvesbörg, fazendo com que o começo do show do Billy Idol no Rock Stage fosse um pouco prejudicado, mesmo assim, Billy e banda, diga-se de passagem: Steve Stevens, fizeram um grande show e empolgaram bastante a platéia com clássicos como Dancing with my Self, White Wedding em formato acústico a princípio e no final plugada, Rebel Yell e fechando o set com LA Woman do The Doors.

Billy Idol e Steve Stevens

Billy Idol e Steve Stevens

O forte frio caiu sobre o festival, e chegava a hora do headliner do dia. Muito se falou sobre a escolha de Gary Moore para fechar um dos dias do festival, e uma grande expectativa foi criada, pois a produção do Sweden Rock havia anunciado que ele faria um show baseado na fase Hard Rock de sua carreira, mas não foi isso que se viu. O show foi lindo, de emocionar abrindo com Over the Hills and Far Away, e tocando músicas como Empty Rooms, Military Walking by Myself, mas faltaram clássicos da fase hard rock como Run for Cover. Destaques para a belíssima Still Got a Blues e para Parisienne Walkways e Out in the Fields gravadas originalmente com Phil Lynott que ao vivo ganharam outra dimensão.

Ray Alder - Fates Warning

Ray Alder - Fates Warning

Infelizmente tudo o que é bom dura pouco, e chegamos ao último, mas não menos importante, dia do festival. E começamos o dia muito bem com os suecos do Dream Evil detonando tudo, e fazendo um show bastante energético, tocando músicas de seus 5 discos, com destaques para The Chosen Ones, Chasing the Dragon, Children of The Night e The Book of Heavy Metal que levaram os presentes a cantar junto, o vocalista Nick Night (Niklas Isfeldt) é bastante animado e carismático, além de excelente cantor é claro. Na mesma hora do Dream Evil, o Cathedral tocava no Rock Stage. Direto para o Festival Stage pude conferir o excelente show dos americanos do Fates Warning, que com a mesma formação do clássico Paralels (1991) fizeram um grande show de Rock Progressivo que girou em torno do álbum citado, mostrando muita técnica e feeling, destaques para Eye to Eye, The Eleventh Hour, Don´t Follow Me e a abertura com Leave the Past Behind.

Denis Ward - Unisonic

Denis Ward - Unisonic (Pink Cream 69)

Michael Kiske - Unisonic (ex. Place Vendome, Kiske, Supared, Helloween)

Uma forte ventania atingiu a área do festival, e com isso a proteção da House Mix do Rock stage foi parcialmente comprometida, fazendo com que o show do Unisonic, de Michael Kiske e Denis Ward, atrasasse cerca de 40 minutos, e muitas dúvidas surgiram sobre como a produção do festival lidaria com isso, já que a disciplina é bastante rigorosa no que diz respeito a horários, mas a área foi rapidamente isolada para evitar riscos de acidentes e a proteção da mesa de controle foi ajustada. Com isso o Unisonic entrou no palco e fez um excelente show e pude realizar o sonho de ver Michael Kiske cantando ao vivo, uma das mais belas vozes do heavy metal e as expectativas foram superadas. Com destaque para as músicas da fase Place Vendome: Sign of the Times e Streets of Fire, além das belíssimas Kids of the Century e A Little Time, ambas do Helloween, com um bônus de Victim of Changes do Judas Priest. Grande participação ao vivo de Denis Ward que faz backing vocals como ninguém e segura a bronca com seu baixo. Neste mesmo momento tocava a banda americana de Southern Rock Point Blank no Sweden Stage, que não pude conferir pois era impossível perder o próximo show no Festival Stage e muito esperado Winger, que lançaram seu último disco Karma no ano passado e fizeram um show bastante técnico, pudemos conferir toda a virtuose de Reb Beach e bateria de Rod Morgenstein acompanhados do multi-instrumentista, hit-maker e bailarino Kip Winger nos vocais e baixo, e John Roth na guitarra, colocando a casa abaixo com músicas como Blind Revolution Mad, Seventeen, Rainbow in the Rose, Down Incognito, Can´t Get Enough, Easy come Easy Go, Madalaine e as novas e pesadíssimas Deal with the Devil e Pull me Under, infelizmente foram levemente prejudicados pelo atraso do show anterior e fizeram um show mais curto.

Kip Winger

Kip Winger

Reb Beach - Winger (Whitesnake, ex-Dokken)

Reb Beach - Winger (Whitesnake, ex-Dokken)

John Roth - Winger

John Roth - Winger

John Roth e Kip Winger

John Roth e Kip Winger

A banda sueca Opeth fez seu show com a devida competência no Rock Stage, enquanto o Raven tocava com muita energia no Dio Stage, logo na sequência o Bachman & Turner se apresentou no Festival Stage e fez um excelente concerto, tocando diversos sucessos da longa carreira da banda.

Mikael Åkerfeldt - Opeth

Mikael Åkerfeldt - Opeth

Bachman Turner

Bachman-Turner

Enquanto isso, no Dio Stage o Anvil fazia sua apresentação que levou grande público, acredito que após o documentário da história da banda, esta ganhou muita popularidade, e Lips e sua banda fizeram bem seu papel tocando grandes musicas como Metal on Metal, Mad dog e outras. A própria banda, em uma lição de humildade, faz papel de roadie passando o som e recolhendo os equipamentos ao final do concerto.

Blackie Lawless - W.A.S.P.

Blackie Lawless - W.A.S.P.

Na sequência veio o W.A.S.P. e havia muita expectativa por parte de nós brasileiros, devido ao fiasco que foi a última turnê sul-americana da banda, com diversos shows cancelados e alguns comentários sobre o uso de playback no show de São Paulo. Logo no anúncio do W.A.S.P. no cast do festival foi anunciado que a banda tocaria somente músicas dos dois primeiros discos, W.A.S.P. (1984) e The Last Command (1986), e eles fizeram um show espetacular, passando principalmente por estes dois discos mas tocando também Crazy e Babylon´s Burning do último álbum Babylon (2009) e Chainsaw Charlie e The Idol do disco Crimson Idol (1990). O restante do show não preciso nem dizer que foi fantástico, já que músicas como On Your Knees, L.O.V.E. Machine, Wild Child, Hellion, Sleeping (in the Fire), I Wanna be Somebody e Blind in Texas não precisam sequer serem comentadas. Destaques ainda para Windowmaker, The Torture Never Stops e The Last Command, estas duas últimas que não eram tocadas ao vivo desde 1984 e 1985 respectivamente. A banda como um todo estava muito animada, Blackie Lawless agitou e interagiu bastante com a platéia, que foi bastante receptiva e devolveu toda a energia aos músicos com suas palmas e gritos.

Era a hora do último Headliner do festival, e quem estava com a responsabilidade era o Guns n´ Roses, e estávamos curiosos para saber se o Mr Axel Rose iria atrasar tanto quanto costuma, já que como falei anteriormente, a produção do festival é muito rígida e disciplinada nesse quesito, e após 30 minutos de atraso eles sobem ao palco e fazem seu espetáculo para uma platéia muito apática e aparentemente cansada. Somente os clássicos oriundos de Appetite for Destruction como Night Rain, Sweet Shine on Mine, Paradise City, It´s so Easy e Mr Browstone para levantar um pouco os ânimos, mas mesmo assim foi um show morno em uma noite muito fria do verão sueco. Antes do final do show fui até o Dio Stage que já era em direção da saída, e pude conferir o final do show do Stratovarius para um público de no máximo 500 pessoas, cheguei a tempo de ver Eagleheart, S.O.S., Paradise  e a clássica e já esperada Black Diamond.

Um ponto muito importante a ser ressaltado é a organização e segurança do festival, durante os últimos anos em que tive a felicidade de comparecer, nunca passei por nenhum tipo de problema e muito menos vi uma confusão, acidente ou algo do gênero, é o tipo do lugar que você consegue ver shows de muito perto e sem confusão ou empurra-empurra, sem falar na qualidade do som que é impecável em todos os palcos. Outro ponto importante é que sendo um festival de 4 dias, a produção consegue distribuir bem as bandas e dessa forma mesmo tendo o maior cast entre os festivais europeus, as bandas conseguem fazer shows com um tempo digno de palco, de no mínimo 60 minutos, diferente de outros festivais que sobrecarregam o cast mas fornecem somente 30 minutos de show para a banda, o que notoriamente é uma sacanagem.

O Sweden Rock se destaca principalmente quando levamos em consideração bandas que dificilmente passarão pelo Brasil, como Cinderella, Winger, Treat, Gary Moore, Billy Idol, Y&T, Pretty Maids entre outras, além da possibilidade de assistir grandes shows dessa nova geração de bandas suecas, esse ano representadas pelo Mama Kin, Steelwing e F.K.Ü, mas em outros anos pudemos conferir shows de bandas que tem ganhado muito destaque como Crashdiet, Hardcore Superstar, Crazy Lixx, Vains of Jenna, Heat, Bullet, The Poodles, Hysterica e Crucified Barbara.

O Sweden Rock mais uma vez  mostrou que ocupa um dos principais postos no cenário do Hard n´ Heavy  Mundial.

Fechamento de 2009 com chave de ouro…

•fevereiro 8, 2010 • 1 Comentário

Texto por Vitor Flisch Cavalanti
Fotos por Tati Rocha
Publicado na revista Roadie Crew número 133 de Fevereiro de 2010
Data: 16/12/2009
Local: Carioca Clube – São Paulo

Chegamos ao encerramento de um ano repleto de shows e eventos muito bem sucedidos e que certamente foram aproveitados pelos apreciadores do bom e velho Rock ´n Roll, e para tal acontecimento tivemos a presença de uma das lendas do Rock, conhecido popularmente como “The Voice of Rock”, Glenn Hughes e banda proporcionaram aos presentes uma agradável noite de quarta-feira na chuvosa e congestionada São Paulo.

Ao adentrar no local do espetáculo, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que compareceram ao show, por se tratar de uma quarta-feira , com chuva e problemas no trânsito paulistano, e mesmo com a presença de Glenn Hughes em 2008 durante o Hard ´n Heavy Party, a casa estava praticamente lotada.

Quem ficou com a responsabilidade da abertura da noite foi a banda setentista Casa das Máquinas, que demonstrou durante praticamente uma hora uma lição de amor ao Rock ´n Roll com uma apresentação muito energética e consistente, mesmo não tendo feito praticamente ensaio algum, como disse com sua voz “rock n roll” Netinho (Luiz Franco Thomaz), baterista e membro da formação original. Além de Netinho, a banda estava composta por Andria Busic (baixo e voz), Sandro Haick (guitarra), Mario Testoni Jr. (teclado) e Marinho (tocando bateria muito sincronizado com Netinho). Durante o show não faltaram as clássicas “Casa de Rock” e “Vou Morar no Ar” , além de “Essa é a Vida”, “Londres”, “Dr. Medo”, “Astralização”, “Stress”, “Lar das Maravilhas”.
Quase uma hora após o encerramento do show de abertura, e já com certa impaciência por parte da platéia, eis que sobe ao palco Glenn Hughes e banda. Iniciando o show com uma sequência para enlouquecer qualquer fã de Deep Purple, de uma vez foram tocadas “Stormbringer”, “Might Just Take Your Life”, “Sailway” e “Mistreated” em sua versão estendida com direito a capela da belíssima voz de Glenn acompanhada por uma base de teclado, essas 3 últimas do aclamado disco “Burn” (1974) e a primeira do auto-intitulado disco de 1974.

A banda composta pelos músicos Matt Goom (bateria), Anders Olinder (teclado), Søren Andersen (guitarra) cumpriu bem seu papel, apesar do baterista não ter mostrado muito afinco, mas em se tratando do show de uma das mais marcantes vozes da história da música, não podia ser diferente.

Glenn Hughes

Glenn Hughes

É impressionante a nitidez e a potência da voz de Glenn Hughes, sendo com certeza um nome a ser destacado juntamente com vocalistas como Ronnie James Dio, Klaus Meine, Joe Lynn Turner e outros, que apesar do longo tempo de estrada e muitas vezes de abusos, conseguiu manter seu instrumento de trabalho na melhor forma possível. Há quem simplesmente não goste do timbre da voz, ou das vezes em que ele incrementa as músicas nos shows realçando suas técnicas vocais, mas não perceber ou valorizar o potencial deste grande artista é um ato de extrema ignorância.

Dando sequência no show vieram “Crave” do mais recente álbum “First Underground Nuclear Kitchen”, “Gettin’ Tigher”, “Come Taste The Band”, “Don’t Let Me Bleed” e “Holy Man”, esta última que dificilmente é executada ao vivo e levou os presentes ao delírio e certamente foi um dos grandes momentos do show.
Em seguida fechando a primeira parte do show vieram ainda “Steppin’ On” e “You Keep On Moving” e tivemos uma pausa para o bis.

Vale destacar que a casa Carioca Club, apesar da boa qualidade som, ótima localização, e infra-estrutura, peca um pouco no que diz respeito ao serviço, formando grandes e desorganizadas filas para compra de bebidas, pudemos perceber a notável confusão durante a pausa.

Para encerrar esta grande noite de Rock ´n Roll, vieram “Soul Mover” do auto-intitulado disco de 2005 e mais um clássico da era Purple: “Burn”, vale destacar que esta última teve seu início um tanto comprometido pela falta de sincronização dos tempos entre bateria e guitarra, mas com esse deslize corrigido rapidamente o fechamento do show foi impecável.

Glenn Hughes Band

Glenn Hughes Band

Apesar do show ter sido muito energético e competente, sempre ficamos com aquele gostinho de quero mais, e imaginando como seria assistir ao vivo canções que Glenn Hughes interpretou em outras bandas e projetos paralelos, como “No Stranger to Love” do disco Seventh Star do Black Sabbath, ou então um dueto ao vivo ao lado de Joe Lynn Turner para cantar músicas dos projetos Hughes & Turner Partes 1 e 2, ou então indo mais longe ainda, ouvir quem sabe Glenn Hughes cantando a belíssima “The Chosen Man” do projeto Nostradamus. Enfim, como podemos perceber, a versatilidade e talento são os fatores mais marcantes desse grande artista que proporcionou um grande encerramento de ano.

Free Bird…

•junho 25, 2009 • 2 Comentários

Olá amigos da rede globo… oops… (essa copa das confederações teve alguma importância nessa introdução), digo:

Olá amigos apreciadores da boa música, após quase 3 meses de ausência venho com boas novas. Estive viajando pela Europa e pude conferir alguns shows pra lá de interessantes, e meus próximos posts serão dedicados a essa experiência quase indescritível (eu disse quase) pela qual passei.

Durante 2 semanas pude conferir  4 dias de  Sweden Rock Festival, AC/DC em Barcelona e Lynyrd Skynyrd em Londres, este último que será meu foco nesse post.

Com muita ansiedade, fui para a Europa já sabendo da turnê do Lynyrd Skynyrd que passaria pela Grã-Bretanha, e inclui propositalmente no meu itinerário uma passagem por Londres, cidade qual eu não conhecia ainda, com fortes intenções em realizar o sonho de ver essa banda que tem mais de 30 anos de existência e passou e têm passado por poucas e boas desde 1977, quando parte da banda faleceu em um acidente aéreo enquanto sobrevoavam os Estados Unidos em turnê de um de seus mais aclamados discos, o Street Survivors.

Haviam grandes dúvidas se a banda continuaria sua turnê, já que em Janeiro desse ano a banda perdeu um dos membros fundadores Billy Powell (tecladista) e mais recentemente ainda em Junho, faleceu vítima de câncer o baixista Ean Evans. Mas a banda passou por cima de tudo isso, chamando Peter Keys e Robert Kearns para os respectivos cargos de tecladista e baixista.

Desde algum tempo, os ingressos já estavam esgotados e eu não tinha conseguido o meu ainda, fui para lá na esperança de encontrar algum cambista que não fosse muito extorsivo se aproveitando da minha sede por rock ´n roll e me cobrasse um preço relativamente honesto, mesmo sabendo que para um país que funciona na base da Libra, isso seria um tanto difícil de acontecer.

Bebemoração com o Ingresso na mão!

O2 Brixton Academy

Na véspera do show, no sábado 30/06/09, fui até o local do show, verificar se realmente os ingressos haviam acabado,  e a fachada do O2 Brixton Academy já anunciava “Sold out”, e a bilheteria estava realmente fechada, me restou somente passar em um dos inúmeros pubs londrinos, tomar uma bela pint, e seguir em frente na esperança de encontrar algum cambista generoso no dia do show. Dito e feito, no dia seguinte, após um passeio prá-lá de agradável por todo o centro de Londres, fui para o show com certa antecedência e não demorei muito a conseguir comprar meu ingresso praticamente 80% super-valorizado, ou seja, perdi 30 libras (cerca de R$ 100,00) na brincadeira, mas garanto… foram muito bem recompensados.

Estando com o ingresso na mão, e faltando mais ou menos 2 horas para o show, era a hora de ir “bebemorar” e com razão dessa vez.

Bebemoração com o Ingresso na mão!

Bebemoração com o Ingresso na mão!

Faltando cerca de 30 minutos para o espetáculo começar, me dirigi ao local do show, e ao adentrar a casa sem muita confusão, já avistei a barraca de merchandise oficial e fui ao delírio, ainda mais ao delírio ao perceber que aceitavam cartão de crédito, resumo da ópera: 3 camisetas oficiais e uma bandeira sulista linda, com as escritas: “Southern by the Grace of God” e o logo da banda abaixo. A casa de show era pequena mas muito bem estruturada, a pista num formato de rampa permitia ótima visualização do palco de praticamente qualquer lugar da casa. Não sou muito bom para estimar a quantidade de pessoas, mas acredito que menos de 3 mil pessoas estavam no local. A abertura ficou por conta de uma banda local, a qual não consegui descobrir o nome ainda, mas o guitarrista e vocalista é um ótimo músico e fez seu papel muito bem, apesar do tipo de som da banda não me agradar muito.

Após a abertura, sobem ao palco o Lynyrd Skynyrd e as emoções vêem a tona, lembro de toda a história da banda e dos contratempos que atrapalharam e atrapalham a trajetória dessa banda ícone do Southern Rock, e mesmo assim como uma lição de superação e amor à música eles prosseguem seus caminhos.

Lynyrd Skynyrd em ação...

Lynyrd Skynyrd em ação...

Passando basicamente pelos 5 primeiros discos da banda, o setlist é impecável, com grandes destaques para as minhas favoritas That Smell, Workin for MCA, What´s your Name, Saturday Night Special e é claro a emocionante Free Bird, que possui um dos melhores e maiores solos de guitarra da história do Rock ´n Roll. Além dessas também tocaram I Ain´t no One, Gimme Back My Bullets, um Medley numa paulada só passando por Whiskey Rock-a-Roller, Down South Jukin´, Needle and the Spoon, Double Trouble e Tuesday Gone, na seqüência veio Gimme Tree Steps, Call me the Breeze, e as clássicas Simple Man e Sweet Home Alabama.

Confira abaixo Saturday Night Special:

Lynyrd Skynyrd tocando Free Bird

Lynyrd Skynyrd tocando Free Bird

Confira abaixo um trecho de Simple Man que eu gravei:

Lynyrd Skynyrd

Lynyrd Skynyrd

Para não falar que não senti falta de nenhuma música, senti falta somente de Swamp Music. A banda está em ótima forma, Rickey Medlocke estava muito animado, sorridente e não parou um segundo, ficava andando por todo o palco, fazendo brincadeiras com as backing vocals e se mostrou muito à vontade, assim como toda a banda, incluindo os novos membros, o que mostra que a banda tem muita energia para queimar e diferente do que muitos pensam, eles ainda possuem muitos anos de vida pela frente.

Confira abaixo Sweet Home Alabama:

“’Cause I’m as free as a bird now,
And this bird you can not change,
Lord knows, I can’t change”

Confira abaixo Free Bird:

Nos próximos posts irei falar sobre o Sweden Rock Festival, um post para cada um dos 4 dias do festival, onde conferi grandes shows como Uriah Heep, The Outlaws, ZZ Top, Twisted Sister, Johnny Winter, Europe, Heaven & Hell, Over The Rainbow, UFO, Journey, Foreigner, In Flames, Jon Oliva´s Pain e muitos outros… Aguardem!

Abraços e até a próxima!

Para sempre Purple…

•abril 3, 2009 • 2 Comentários

Após um certo período de greve, volto a postar no nosso espaço rock ´n roll, e para compensar o atraso vou postar o review do show do Deep Purple feito pela minha amiga Renata Petrelli. (as fotos são de Stepahn Solon).

Sete de março de 2009, o Deep Purple encerra a parte paulista da sempre bem sucedida turnê brasileira com seu segundo dia de apresentação (tocaram também no dia anterior, sexta-feira). Embora os veteranos ingleses visitem o país anos e anos seguidos, eu, que finalmente consegui ver um concerto dessa banda que leva (juntamente com outros ícones) o cultuado título de pais do rock n´ roll, tão impecavelmente fizeram valer um Via Funchal praticamente lotado, e visivelmente mais afoito comparado ao show do dia anterior. É sabido dizer, que algumas bandas têm no Brasil sua terra prometida, como é o caso do Iron Maiden, Deep Purple e Scorpions, bandas com seus mais de 30 anos de carreira e, sempre tão aclamadas por aqui.

Deep Purple - Roger Glover, Ian Gillan e Steve Morse

Deep Purple - Roger Glover, Ian Gillan e Steve Morse

Esse review pode parecer um tanto quanto biográfico, mas a sensação que tive ao presenciar a primeira música da noite, Highway Star, foi mágica. Mesmo Ian Gillan com sua aparência de avô alegre (a idade chega para todos), e provavelmente gripado, a energia única e segura do que estavam fazendo era impactante. Não é a toa que influenciam tanta gente hoje em dia a ter uma banda, ou aprender uma música despreocupadamente no violão e fazem dos seus seguidores muitas vezes parecerem amadores em cima de um palco! Como dizem por aí quanto mais velho é o whisky melhor ele é, e no caso de músicos, não é diferente. A despretensão na execução de cada nota e rufar de cada música mostram a naturalidade como a banda incorpora as mesmas, se tornando um momento único.

Ian Gillan e Steve Morse

Ian Gillan e Steve Morse

Deixando o deslumbramento de minha parte, seguimos com o set-list do show: para quem duvidava que o velho e bom Deep Purple ainda tivesse energia suficiente pra levantar a galera, porque não seguir com Things I Never Said, Into The Fire e a deliciosa Strange Kind Of Woman?! Sem dúvida, de todos os shows que tive o prazer de presenciar, uma das melhores seqüências efetivas para tirar o fôlego. Brincadeiras a parte do amável Ian Gillan, é apresentada Ted, The Mechanic, seguida da faixa-título do último trabalho de estúdio Rapture of the Deep. Entre pais, filhos e netos, e do público heterogêneo que se aplica ao Deep Purple, não houve um momento se quer que toda essa gente caísse na empolgação frenética em que estavam. Chega a parte instrumental do show: Contact Lost e Well Dressed Guitar fazem do momento sublime com muito feeling (pouco mostrado hoje em dia pelos guitarristas mais novos), demonstrando um Steve Morse bem a vontade, com o público nas mãos.

Ian Paice / Roger Glover e Steve Morse

Ian Paice / Roger Glover e Steve Morse

Gillan de volta, Sometimes I Feel Like Screaming (uma das minhas preferidas) e Lazy fazem os guitarristas mais afoitos se sentirem um pouco Steve Morse com seus air guitars improvisados. The Battles Rage On é tocada para dar lugar ao incrível (e o melhor que já vi) Key Solo de Don Airey, com direito a homenagem aos brasileiros tocando Aquarela do Brasil. Hora de acabar com o show… E que finalização! Perfect Strangers, Space Truckin e claro, Smoke On The Water – essa, até segurança sabia o refrão. Hush e Black Night encerram a noite de maneira estarrecedora. Como diria um amigo meu, o Deep Purple não sabe brincar… não de se fazer show. Levam a sério e o melhor, para nossa satisfação!

Set-list:

– Highway Star
– Things I Never Said
– Into the Fire
– Strange Kind of Woman
– Vavoom: Ted the Mechanic
– Rapture of the Deep
– Contact Lost
– The Well Dressed Guitar
– Sometimes I Feel Like Screaming
– Lazy
– The Battle Rages On
– Solo de Don Airey
– Perfect Strangers
– Space Truckin´
– Smoke on the Water

BIS:
– Hush
– Black Night

Obs.: a diferença no set-list para o show de sexta-feira foi a músicas Mary Long tocada no lugar de Lazy.

Empire, uma banda-projeto de gente grande

•março 11, 2009 • 3 Comentários

Chasing Shadows, lançado no final de 2007, é o quarto disco da banda-projeto Empire, criado pelo guitarrista alemão Rolf Munkes que chamou um time de feras para este play, confira abaixo:

Doogie White – Vocal (Yngwie J. Malmsteen, Cornerstone, Rainbow, Balance of Power, Pink Cream 69, Praying Mantis)
Rolf Munkes – Guitarra (Majesty, Razorback, Vanize, Dawnrider)
Neil Murray – Baixo (Brian May, Whitesnake, Gary Moore, M3, National Health, Company of Snakes, Bow Wow, Gogmagog , Rondinelli, Driveshaft, Iommi, Tony Martin, Black Sabbath)
Mike Terrana – Bateria (Savage Circus, Axel Rudi Pell, Rage, Roland Grapow, Squealer, Victor Smolski, Metalium, Yngwie J. Malmsteen, Kiko Loureiro, John West, Tony MacAlpine, Gamma Ray, Masterplan, Hanover Fist, Not Fragile, Emir Hot, Zillion, Artension, Iron Mask, Razorback, Tarja, Zillion, Downhell, Beau Nasty)
Don Airey – Teclados (Alaska, Air Pavilion, Crossbones, Judas Priest, Anthem, Black Sabbath, Iommi, Deep Purple, Glenn Tipton, Ozzy Osbourne, Rainbow, Sinner, Divlje Jagode, The Cage, M.S.G., Whitesnake)

Empíre - a banda

Empire - a banda - Mike Terrana, Neil Murray, Doogie White e Rolf Munkes

O disco começa com a ótima Chasing Shadows que usa e abusa dos acordes harmônicos nos riff´s e dos efeitos wa-wa no solo, com grandes destaques para o refrão bem elaborado e cativante, uma excelente música para iniciar o disco.

Segue com a mediana The Alter (diga-se de passagem: mediana levando em consideração o conjunto da obra, pois trata-se de uma boa música). Lembra um pouco Masterplan no refrão, na sequência as ótimas Mother Father Holy Ghost e Sail Away essa última com grandes destaques para o belo vocal de Doogie White, que trabalha com um profissionalismo exemplar, é um dos grandes destaques dessa compilação.

Indo em frente com a balada do disco, Child of the Light, que surpreende por seus nuances e pela base orquestrada ao fundo, novamente destaques para o vocalista que dá uma aula. Tahigwan Nights traz um power metal sem muita novidade, e é sucedida pela cheia das cavalgadas Manic Messiah.

Angel and the Gambler traz riffs rasgados intercalados por sequências de solos, e corais dando suporte, uma bela combinação de elementos.

As duas últimas músicas são um show a parte, A Story Told, é uma balada bem ao estilo Axel Rudi Pell, mas com um refrão que a cada execução cresce e envolve, fazendo-nos cantar juntos e para encerrar o disco, a grandiosa The Rullers of the World, que é uma síntese do disco, trazendo riff´s poderosos, vocal balanceado e agressivo quando necessário, com um refrão forte e cheio de backing vocals, por sinal muito bem produzidos e encaixados na música: We Are… The Rullers of the World…!

Empire - Chasing Shadows - Capa

Empire - Chasing Shadows - Capa

Baixe Chasing Shadows do Empire em (powered by Combe do Iommi) clicando aqui.

Tracklist:

01. Chasing Shadows (04:28)
02. The Alter (04:26)
03. Mother Father Holy Ghost (05:01)
04. Sail Away (04:35)
05. Child Of The Light (05:30)
06. Tahigwan Nights (03:41)
07. Manic Messiah (05:22)
08. Angel And The Gambler (05:27)
09. A Story Told (04:30)
10. The Rulers Of The World (05:22)

Discografia do Empire:

2001 – Hypnotica
2003 – Tradng Souls
2006 – The Raven Ride
2007 – Chasing Shadows

Site Oficial da Banda: http://www.empire-rock.com/
My Space: http://www.myspace.com/empirerocksyou

Do que é feito o Metalcore?

•março 8, 2009 • 8 Comentários

Quem compareceu ao Espaço Lux em São Bernardo do Campo-SP no domingo (01/03/2009), pôde conferir o excelente, mas infelizmente curto (porém extremamente intenso), show da banda americana do intitulado “Metalcore Cristão”, As I Lay Dying.

A banda teve seu início em 2001 enquanto ainda era um trio lançando o disco Beneath the Encasing of Ashes, e contando com o debut lançou 4 discos de inéditas, 3 singles, uma coletânea, a saber:

2001 – Beneath The Encasing of Ashes
2002 – American Tragedy (Single)
2003 – Frail Words Collapse
2005 – Shadows are Security (Single)
2005 – The Darkest Nights
2005 – Shadows are Security
2006 – A Long March: The First Recordings (Coletânea)
2007 – An Ocean Between Us

Logo na entrada já notava-se uma imensa fila de headbangers de diversos estilos, público de certa forma surpreendente pela penetração da banda junto aos brasileiros, e também pela localização não tão privilegiada e a pouca publicação por parte dos organizadores, no caso a Liberation.

Quem teve a missão de abrir a tarde/noite foi o Jeffrey Dahmer, já que a banda Deeper than That havia cancelado sua participação dias atrás, e o Jeffrey Dahmer não fez feio não, mas não conseguiu empolgar o público sedento por As I Lay Dying.

Tim Lambesis e Público - As I Lay Dying

Tim Lambesis e Público - As I Lay Dying

Com relação à casa, o Espaço Lux, trata-se de uma antiga danceteria que foi adaptada para casa de espetáculos, pode ser considerada grande para um local underground, mas é pequena para receber grandes artistas. No caso da banda em questão, foi perfeito.

Pouco mais das 19h, o As I Lay Dying entra em cena tocando uma música instrumental em playback, e emendando com a paulada Nothing Left do mais novo disco An Ocean Between Us, levando todos ao delírio. Era nítida a qualidade do som que estavamos presenciando e a famosa energia que a banda demonstrava.

As I Lay Dying ao vivo em São Paulo

As I Lay Dying ao vivo em São Paulo

Entre um clássico e outro, pudemos conferir Forsaken, I Never Wanted, The Sound of Truth, Within Destruction e An Ocean Between Us do último trabalho da banda, 94 Hours e Forever do disco Frail Words Collapse, Through Struggle, Confined, Meaning in Tragedy e The Darkest Nights do disco Shadows of Security.

Durante o show eram comuns as enormes Circle Pits que se abriam para os bangers se divertirem (há tempos não via rodas tão grandes em shows por aqui), e Tim solicitou e tentou organizar algumas vezes os chamados Walls of Death, onde tal como em bailes funks (ótima referência, que venham as pedras), a pista se divide em duas partes/equipes e a um sinal as duas partes saem na pancadaria, para sorte dos desavisados esse evento não ocorreu.

Grandes destaques para o ótimo baterista Jordan Mancino que mantém o ritmo durante todo o espetáculo e toca com precisão, além de Tim e do vocalista de apoio que faz a parte melódica tão envolvente como nos CDs.

Tim Lambesis - As I Lay Dying

Tim Lambesis - As I Lay Dying

Um show curto, mas intenso como poucos, intercalando clássicos o As I Lay Dying conseguiu fazer com que muita gente saísse com a alma lavada e em frangalhos do show.

Infelizmente, dias atrás foi anunciado que o baterista Jordan Mancino não presseguiria na tour devido a falecimento na família, mas quem irá substituí-lo será Justin Foley (baterista do KILLSWITCH ENGAGE).

Banda:
Tim Lambesis – Vocal
Phil Sgrosso – Guitarra
Nick Hipa – Guitarra
Josh Gilbert – Baixo/Vocais
Jordan Mancino – Drums

As I Lay Dying - Banda

As I Lay Dying - Banda

Clip de The Sound of Truth

Clip de Nothing Left

Clip de The Darkest Nights

Intro + Nothing Left (ao vivo em São Paulo)

The Darkest Nights (ao vivo em São Paulo)

Forever + Through Struggle (ao vivo em São Paulo)

Confined ao vivo no Cornestone Festival 2006

Edguy, consistência e maturidade…

•março 1, 2009 • Deixe um comentário

Por Renata Petrelli

A banda alemã Edguy, em meio a crise mundial aporta pela 4ª vez no país, mais precisamente na cidade de São Paulo para um único show bastante agitado e set list diversificado.

Tobias Sammet

Tobias Sammet

Liderado pelo compositor e vocalista Tobias Sammet, os alemães começam às 20h15 com a bem composta (e que remonta bem ao hard 80´s) Dead or Rock e emenda com a épica e e com certeza uma das preferidas dos fãs mais xiitas, Speedhoven (caberia facilmente no CD theater of salvation ou mandrake) ambas do último CD, Tinnitus Sanctus. Era a vez de remeter aos velhos tempos e a perpetualizada Tears of Mandrake entra em cena (tocaram-na em todas as 4 passagens pelo país) e todos os presentes cantam em unissono.

Confira abaixo a abertura do show com Dead or Rock e Speedhoven:

Mais uma vez, Sammet que não é bobo nem nada anuncia a típica música rápida do álbum theater of salvation, Babylon – dessa vez executada perfeitamente – embora estivesse cheio, não mais que a última turnê, o público deixou a desejar no quesito agitação para uma das músicas mais agitadas do set list escolhido pela banda.

A surpresa da noite foi a longa (e ótima música) The Pharaoh, do álbum Mandrake, já que a única vez que tocaram por aqui foi em 2002. Definitivamente, o ponto alto do show. Destaque merecido ao sempre simpático Tobias Exxel, baixista, que executou perfeitamente e solou inclusive neste tema.

Tobias Exxel

Tobias Exxel

É válido lembrar, como sempre carismático, Sammet não mediu esforços para entreter o público com piadas e inclusive notícias em primeira mão como a vinda do Metallica ao país ou ainda o lamento (com fundamento) do porque de uma úncia data no país, onde o costume é excursionar por quatro ou mais cidades, Mais uma do novo álbum: Ministry of Saints, a julgar que é a música de trabalho deste último CD, o Edguy conquistou novos adeptos, já que todos cantavam cada palavra desta música que realmente é ainda melhor (e mais pesada!) ao vivo. Mais uma vez voltemos aos primórdios do Edguy, talvez, o primeiro grande Hit da banda, Vain Glory Opera. Obviamente, acertou em cheio aos fãs mais antigos!

Drummer´s show time: Felix mudou o tema de fundo que usava para improviso de seus solos e ataca de pirata com uma das músicas da trilha sonora de Piratas do Caribe.

Edguy - ao vivo em São Paulo

Edguy - ao vivo em São Paulo

Pride of Creation, também do último álbum e sem dúvida a que mais remete ao auge do metal melódico na banda neste CD, dá continuidade à segunda metade do show;é agitada pelo público com grande empolgação e é visível que a própria banda ficou surpresa com o favoritismo desse tema;

Headless Game, uma das minhas favoritas nesse set escolhido pela banda tem as já tradicionais nessa música, brincadeirinhas de Sammet para com o público.
Save me, a única balada do set list, é apreciada pela maioria, mas logo dá lugar a Super Heroes, música com clipe divertidíssimo, e que com certeza, agregou muitos fãs com ela.

Confira Save Me abaixo:

Hora do bis, estavam faltando músicas do álbum Hellfire Club, muitos dos presentes ali conheceram a banda com ele e já estavam se pondo em dúvida se ouviriam algo dele.. Mas já estavam chegando: Nine lives do Tinnitus Sanctus encerra com chave de ouro a divulgação do novo álbum e dá lugar ao grande encerramento com Lavatory Love Machine, carinhosamente trocando a palavra Brasil da letra por São Paulo, e King of Fools que é sempre bom conferir ao vivo.

Edguy:
Tobias Sammet – Vocais

Dirk Sauer – Guitarras
Jens Ludwig – Guitarras
Tobias Exxel – Baixo
Felix Bohnke – Bateria

Set List:
Dead or rock

Speedhoven
Tears of Mandrake
Babylon
The Pharaoh
Ministry of Saints
Vain Glory Opera
Drum Solo
Pride of Creation
The Headless Game
Save Me
Super Heroes
Nine Lives
Lavatory Love Machine
King of Fools

Jens Ludwig

Jens Ludwig

Edguy ao vivo em São Paulo

Edguy ao vivo em São Paulo

Dirk Sauer

Dirk Sauer

Edguy ao vivo em São Paulo

Edguy ao vivo em São Paulo